
Miguel Lucena
Agora descobriram a causa do rombo do Banco Master: foi falta de educação financeira do povo.
Não foi fraude, não foi ativo inflado, não foi gestão temerária, não foi desvio de bilhões.
Foi o cliente que acreditou.
Segundo alguns especialistas, Daniel Vorcaro e companhia não teriam feito nada demais.
Quem errou foi o cidadão que viu promessa de rendimento alto e confiou no banco.
Quer dizer: o sujeito abre conta, aplica dinheiro, o banco quebra, aparecem bilhões evaporados…
e a culpa é de quem depositou.
Já vi assassino botar a culpa no morto, mas esse caso está mais sofisticado.
Lembrei logo de Jackson do Pandeiro, naquela história em que o cabra levou a facada, mas disseram que a culpa era dele, porque tinha carne reimosa — dessas que, no dizer do Nordeste, infeccionam fácil e não aguentam ferimento.
Ou seja, não foi a faca que matou, foi o corpo que não colaborou.
Agora é assim:
se o banco promete demais, o culpado é quem acredita;
se o ativo não existe, o culpado é quem investe;
se desaparecem bilhões, o culpado é quem confiou.
No fim, o butim some, os especialistas explicam,
e o freguês ainda sai como responsável pelo próprio prejuízo.
Desse jeito, qualquer dia vão concluir que não houve fraude nenhuma.
Houve foi excesso de confiança… do lado errado.

