sábado, 14/03/26
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O teatro da CPI

Miguezim de Princesa

I

Renam Calheiros, que estava

Sumido na hierarquia,

Com 43 processos

Na boca da autarquia,

Botou a venta de fora

Por dentro da pandemia.

II

Na CPI da Covid,

Ele foi logo avisando:

  • Eu já fui um “pegador”,

Passei a vida pecando,

Mas de agora em diante,

Vocês só me veem rezando.

III

  • Eu nunca matei ninguém,

Nunca arrombei cofre forte,

Transportei gado sem ferro,

Desde o Sul até o Norte,

E agora assumo a Cruzada

Contra a agenda da morte!

IV

  • Juro ser imparcial,

No Senado não há tolo,

Meu filho é governador

E, se ele entrar no bolo,

Aí a gente conversa

Pra tirar ele do rolo.

V

Aí Flávio Bolsonaro,

Nessa mesma ocasião,

Disse que o tal de Pacheco

Tinha feito traição:

  • Acho que essa CPI

Provoca aglomeração!

VI

  • Não, não provoca não –

Disse outro, se abanando.

  • Essa Covid só pega

Em quem está labutando.

Labutou, o vírus pega

E sai com a gota, matando.

VII

  • Mas olha quem está falando,

Esse é um negacionista! –

Protestou um senador

Da ala mais “vermelhista”.

  • Sai daí, vírus da China! –

Gritou um bolsonarista.

VIII

Acusaram Bolsonaro

De não comprar a vacina,

Porém a acusadora

Foi chamada de “cretina”:

  • E tu, que “ficasse” boa

Tomando ivermectina?

IX

  • Isso é remédio de verme,

Seja nos EUA ou na China! –

Retrucou, Randolfe, irado,

Feito o raio da silibrina.

  • Randolfe – rebateu Flávio –

Sempre tomou cloroquina.

X

  • Foi pra não pegar malária,

Na borracha da madeira! –

Respondeu o senador,

Outro disse: – É brincadeira!

Isso aqui é um palanque

De uma via eleitoreira!

XI

Enquanto eles se engalfinham,

Fingem que estão debatendo,

Se agarrando, se furando,

Se arranhando, se mordendo,

Muita gente passa fome

E muitos seguem morrendo…

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