sábado, 07/11/26
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Operação no DF e em 5 estados mira bets que movimentaram milhões com empresas de fachada

Investigação começou após alerta do Ministério da Fazenda, que identificou bets sem autorização federal antes mesmo da entrada em vigor da medida que proíbe essas plataformas no Brasil.

Polícia Civil faz operação contra bets ilegais no DF e 5 estados — Foto: reprodução

 

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal, deflagrada na manhã desta quinta-feira (5), mira bets ilegais que usaram empresas de fachada para movimentar cerca de R$ 739 milhões. A ação acontece no DF e cinco estados.

Segundo a polícia, o dinheiro depositado nas bets era direcionado às empresas de fachada, que concentravam os valores e os redistribuíam entre pessoas, empresas e instituições.

A investigação começou há cinco meses, após um alerta da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou bets sem autorização federal, mesmo antes da Medida Provisória que proíbe esse tipo de aposta no Brasil.

Segundo a Polícia Civil, a operação cumpre 52 mandados de busca e apreensão e de medidas de bloqueio patrimonial. Não há mandados de prisão.

No Distrito Federal, a polícia faz buscas em Sobradinho, Planaltina e Ceilândia. Na capital de São Paulo, as buscas acontecem na região da Faria Lima, Consolação e Berrini. Em Goiás, as diligências ocorrem no Setor Bueno e no Parque Oeste Industrial, em Goiânia, e nos municípios de Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás.

No Paraná, as buscas ocorrem Curitiba, nos bairros Rebouças, Batel e Bela Vista do Paraíso. No Ceará, a diligência é realizada em um hotel de Fortaleza. Também há diligências no Rio Grande do Norte, na capital Natal.

As identidades dos suspeitos de envolvimento no esquema não foram divulgadas. Eles podem responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.

Como bets usavam empresas de fachada

Segundo a investigação, os pagamentos feitos para a plataforma de apostas eram direcionados a empresas com atividades declaradas, sem relação com apostas. Em Sobradinho (DF), por exemplo, o dinheiro era enviado para uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô.

Nos locais para onde o dinheiro era direcionado, os policiais encontraram imóveis vazios e outros estabelecimentos comerciais.

“As apurações apontam o uso de dezenas de empresas de fachada para receber os pagamentos, concentrar os valores e redistribuí-los entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive com conversão em criptoativos”, diz a polícia.

 

Empresas investigadas

A investigação também alcança a fintech A55 Sociedade de Crédito, de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto.

  • Nas simulações realizadas pelo Ministério da Fazenda, as cobranças por pix dos sites investigados levavam a inúmeras contas de empresas de fachada mantidas nessa fintech.
  • A fintech também mantinha contas de outras empresas do esquema, com rodízio de procuradores.

 

“Informações financeiras relativas à instituição e a empresas do mesmo grupo indicam movimentação de cerca de R$ 1 bilhão, incluindo repasses a empresa investigada e pagamentos relacionados a casas de apostas sem autorização. Em 30 de julho de 2026, o Banco Central divulgou a intenção de cancelar a autorização de funcionamento desta fintech”, diz a polícia civil.

 

Bloqueio de contas dos investigados

A polícia informou que o Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, até o limite global de R$ 3,483 bilhões, e a indisponibilidade de bens mantidos em instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 

Fonte: g1 DF

 

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