
Nações se pronunciaram sobre nova crise migratória nos enclaves espanhóis na África, e chegaram a pedir que o país ibérico seja suspenso do Espaço Schengen, de livre circulação de pessoas na UE. Milhares de africanos cruzaram a fronteira de Marrocos rumo a Ceuta e Melilla.
Os países europeus reagiram de diferentes formas à onda de imigração em massa ocorrida na cidade espanhola de Ceuta, no norte da África. As imagens de africanos chegando ao local a nado rodaram o mundo na quinta-feira (30), e o caso retomou a crise migratória rumo à Europa.
Ao menos seis países e também a liderança da União Europeia se pronunciaram nas últimas horas, e suas falas variaram entre defender as fronteiras do bloco e criticar o governo espanhol. Veja o que cada um falou abaixo:
França
O presidente da França, Emmanuel Macron, ordenou que seu governo reforce as fronteiras com a Espanha diante da crise migratória, e disse que seu país está pronto para auxiliar o país vizinho com o que for necessário.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, confirmou a ordem em publicação na rede social X.
“Diante da situação constatada no enclave de Ceuta, dei ontem à noite instruções para reforçar imediatamente os controles na fronteira espanhola. Além disso, estou acionando a Força de Intervenção Rápida de Fronteira para realizar controles aprofundados”, afirmou Nuñez.
Itália
Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chamou as imagens em Ceuta de “impressionantes” e disse que a imigração clandestina representa “uma ameaça concreta” à segurança das fronteiras europeias.
União Europeia
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a UE está em contato com os governos espanhol e marroquino para solucionar a crise e acrescentou que a entrada de imigrantes no bloco europeu tem que ser feita pela via legal.
“Não podemos deixar ninguém vir à União Europeia sem cumprir as nossas regras”, disse.
Suécia
A ministra do Interior da Suécia, Mari Rantanen, criticou duramente a Espanha nesta sexta, acusou o país ibérico de não controlar adequadamente suas fronteiras em Ceuta e apoiou a proposta de Meloni.
“A Espanha fracassou completamente em proteger a fronteira externa do Espaço Schengen contra incursões. Isso não pode continuar. Todos os países europeus devem apoiar a proposta de Meloni. Países que não cumprem sua obrigação de proteger a fronteira externa não podem ser membros do Schengen”, afirmou Rantanen.
Dinamarca
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também tocou no assunto de Schengen em comunicado enviado à agência de notícias AFP. Ela afirmou que a UE deve considerar suspender a Espanha do tratado de livre circulação.
“É evidente que a UE deve tomar imediatamente todas as medidas necessárias e considerar todas as opções, incluindo a suspensão da cooperação de Schengen. A imigração descontrolada representa uma ameaça para a Europa e para a Dinamarca”, disse Frederiksen.
Alemanha
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que proteger as fronteiras externas da UE é crucial para combater a migração ilegal, e que “claramente espera que todos os países do bloco cumpram com essa obrigação”.
Merz também elogiou a fala do premiê da Espanha, Pedro Sanchez, nesta sexta de que a imigração marroquina em Ceuta viola a soberania do país e que o governo espanhol buscará devolver todos.
Reino Unido
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, chamou de “preocupante” a crise em Ceuta, e disse que entrará em contato com o governo espanhol para “entender as implicações da situação” e dar apoio.
