Convite irrecusável para o Clube de Leitura do Pondé

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Maria José Rocha Lima*

O professor Guilherme Freitas nos faz um convite irrecusável: retomarmos os estudos e as reflexões no Clube de Leitura do filósofo Luiz Felipe Pondé.

Graduado e mestre em Filosofia, atualmente doutorando pela Universidade de São Paulo — USP, Guilherme foi nosso tutor durante dez meses. Para além da gestão da comunidade e das aulas, conduziu leituras, produziu textos e promoveu reflexões filosóficas notáveis. Luiz Felipe Pondé não poderia ter escolhido melhor professor.

Neste momento, Guilherme O. Freitas nos convida a continuar no Clube do Livro com palavras generosas e verdadeiramente irrecusáveis:

“Minha maior felicidade foi a construção de uma relação de confiança, respeito e aprendizado com os quase 1.200 alunos. É um sentimento enorme por eles que me inspira a escrever este agradecimento.”

Ele também se revelou grato pelo respeito construído na comunidade, que sempre recebeu seus escritos e suas aulas com seriedade e consideração:

“Sinto-me realizado ao ver como todos nós nos permitimos melhorar e, de fato, nos desenvolvemos ao longo da bibliografia. Sou imensamente feliz, enfim, por trabalhar com aquilo que amo incondicionalmente: a Filosofia. A toda a equipe que confiou no meu trabalho, o meu mais sincero agradecimento! Seguimos agora na construção da segunda edição: que venha e que seja ainda melhor!”

Como tutor do Clube de Leitura do Pondé, Guilherme O. Freitas nos conduz, na Sala de Estudos, por leituras e reflexões sobre obras magistrais selecionadas pelo filósofo Luiz Felipe Pondé.

Embora a segunda jornada do Clube do Livro tenha começado em junho, Guilherme, com muita gentileza, dispôs-se a socorrer os atrasados, como eu, enviando-me o primeiro livro dessa nova etapa: O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud, escrito em 1929 e publicado oficialmente em 1930. Uma obra que nos espanta, cada vez mais, por sua urgência e atualidade.

Vale a pena nos deixarmos conduzir por essa leitura e pelas reflexões que ela desperta.

Guilherme Freitas destaca:

“Logo no primeiro parágrafo de O mal-estar na civilização, encontramos uma tese profundamente hobbesiana: nossos desejos, por sua diversidade, contradição e, muitas vezes, mesquinhez, além da distância existente entre aquilo que valorizamos e aquilo que efetivamente fazemos, produzem um mal-estar incontornável na vida em sociedade.

Desde o conceito de ‘estado de natureza’, de Thomas Hobbes, sabemos que o desejo de uma pessoa pode colidir com o desejo de outra, que esse conflito pode se tornar violento e que a sociedade moderna é, entre outras coisas, uma tentativa de administrar essas tensões.

Com Freud, porém, a reflexão se aprofunda: o desejo de um indivíduo não colide apenas com o desejo dos outros, mas também consigo mesmo.

A civilização não impõe limites somente por meio de leis e instituições. Ela também atua pela interiorização de valores, proibições e expectativas sociais. Dessa forma, o conflito deixa de existir apenas entre os indivíduos e passa a habitar o próprio sujeito.

O mal-estar não é, portanto, um acidente da vida civilizada, mas uma consequência inevitável da condição humana. Somos seres atravessados por desejos incompatíveis, obrigados a conviver simultaneamente com os outros e com nós mesmos.”

Em seguida, Guilherme nos desafia:

“Diante dessa leitura, algumas questões se impõem: os conflitos que mais nos fazem sofrer surgem da oposição entre os nossos desejos e os desejos dos outros ou do confronto entre os nossos próprios desejos? Reconhecemo-nos na descrição freudiana de alguém que deseja coisas diferentes e, por vezes, contraditórias ao mesmo tempo?

Se a civilização exige a renúncia a determinados desejos para tornar possível a convivência, qual é o limite entre formação moral e repressão? Que outros aspectos presentes no início da obra chamam a nossa atenção?”

São perguntas que demonstram a força e a atualidade do pensamento freudiano e justificam, por si mesmas, o convite para continuarmos reunidos, estudando, dialogando e refletindo no Clube de Leitura do Pondé.

Reprodução

 

 

* Maria José Rocha Lima — Zezé é professora, teóloga, mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia — UFBA, doutora em Psicanálise e filiada à Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Psicanálise — ABEPP. Foi deputada estadual da Bahia entre 1991 e 1999.

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