quinta-feira, 16/04/26
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Como alguns enriquecem mais que os outros

Ilustração gerada por IA

 

Miguel Lucena
Há quem trate a riqueza como resultado de uma fórmula simples: estudo + esforço = prosperidade. É uma equação elegante, ensinada nas melhores universidades, mas que nem sempre resiste ao teste da vida real. Alguns, munidos de diplomas emoldurados e bibliotecas respeitáveis, seguem pagando boletos com a pontualidade de um relógio suíço. Outros, sem tanto apego às regras do jogo, parecem descobrir atalhos curiosamente eficientes.
As recentes operações policiais lembram que certas fortunas não brotam da paciência, mas da pressa. Crescem como capim em terreno fértil — desde que irrigadas por métodos pouco ortodoxos. Não deixa de ser uma espécie de talento: há quem saiba identificar oportunidades onde a lei recomenda distância.
Não se trata, portanto, de falta de inteligência dos que permanecem no caminho reto, mas de uma escolha — ou talvez de um limite íntimo. Nem todo mundo possui vocação para certas ousadias que, embora rentáveis, exigem uma elasticidade moral pouco ensinada nos cursos de pós-graduação.
Recordo-me de uma conversa com um ex-dirigente bancário que repetia, com solenidade, a palavra “compliance”. À época, soava como um mantra corporativo. Hoje, compreendo melhor: era menos um compromisso e mais uma peça de ficção. Afinal, há discursos que enriquecem menos que as práticas — sobretudo quando estas dispensam qualquer conformidade.

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