terça-feira, 14/04/26
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Associações empresariais lançam coalizão contra a desinformação no Brasil

Iniciativa liderada pelo Instituto Ethos reúne entidades empresariais para fortalecer a produção e a circulação de informações íntegras e responsáveis.

Evento reuniu associações empresariais no Unibes Cultural. Da esquerda para a direita: Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos; Sérgio Lüdtke, Secretário Executivo da ABRAJI; Ana Lucia Melo, diretora-adjunta do Instituto Ethos; Marcela Greggo, gestora de Projetos e Serviços do Instituto Ethos; Márcio Borges, pesquisador associado da NetLab UFRJ; Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje; Andréa Álvares, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos; Cristiano Lobato Flores, presidente executivo da ABERT; Cristovam Ferrara, diretor de Responsabilidade Social da Globo; e Luiz Lara, Chairman da TBWA/Brasil. — Foto: Divulgação/Instituto Ethos

 

 

Organizações empresariais brasileiras lançaram, na última segunda-feira (13), a Coalizão Empresarial Contra a Desinformação, iniciativa voltada a promover meios e condições para a produção e a circulação de informações mais íntegras, seguras e responsáveis.

A iniciativa é liderada pelo Instituto Ethos e conta com a parceria da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) e com o apoio técnico do NetLab, Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o diretor-presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, apenas haverá uma “resposta consistente” para combater a desinformação se houver uma cooperação entre sociedade civil, setor privado, poder público, academia e meios de comunicação.

“Por isso, a resposta a esse problema precisa ser coletiva. Ela passa por mais transparência das plataformas, por mais responsabilidade no desenvolvimento e na circulação de sistemas de inteligência artificial, por políticas públicas de formação crítica e por um compromisso institucional com a integridade da informação. O desafio não é apenas tecnológico. É social, político e ético”, disse.

 

 

Dados do Global Risks Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, mostram que a desinformação deixou de ser um desafio restrito ao campo da comunicação digital e passou a configurar um risco sistêmico, com impactos diretos sobre a democracia, a confiança institucional e o ambiente de negócios.

Segundo o pesquisador do NetLab Márcio Borges, durante o evento de lançamento da iniciativa, um estudo realizado em 21 países indicou que o Brasil é o país com maior dificuldade para identificar notícias falsas nas redes sociais — um dos meios mais utilizados pelos brasileiros (80%) como fonte de informação, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Fórum Econômico Mundial apontou, ainda, que temas como a desinformação e a polarização social estão entre os principais fatores de instabilidade global no curto e no longo prazo, com 40% dos especialistas projetando algum grau de instabilidade nos próximos dois anos.

Nesse contexto, a Coalizão Empresarial Contra a Desinformação surge para apoiar empresas na construção de respostas estruturadas, baseadas em evidências e alinhadas às melhores práticas de governança e responsabilidade corporativa.

A iniciativa deve atuar na produção de conhecimento técnico, no desenvolvimento de diretrizes orientadoras e na promoção de espaços de diálogo entre lideranças empresariais, especialistas e a sociedade civil.

Segundo a presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, Andréa Álvares, a desinformação impacta diretamente a confiança e exige uma resposta coordenada e multissetorial.

“Ao lançar esta coalizão, reforçamos o papel do setor empresarial como agente ativo na construção de um ambiente informacional mais íntegro”, afirma Álvares.

O evento também contou com um painel voltado ao debate sobre informações enganosas no Brasil e no mundo, junk news (conteúdos que imitam o formato de notícias, mas não seguem princípios jornalísticos), o papel da publicidade nos mecanismos de disseminação de notícias falsas e a responsabilidade das organizações na resposta à desinformação.

O evento como a crise de confiança, acentuada pela circulação de informações distorcidas, pode afetar negócios de diversos segmentos e destacou o papel da comunicação empresarial e do jornalismo no enfrentamento desse cenário.

A sessão contou com a participação do presidente-executivo da ABERT, Cristiano Lobato Flores, e do diretor-executivo da Aberje, Hamilton Santos. A moderação ficou a cargo da presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, Andréa Álvares.

 

 

 

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