
Miguel Lucena
“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor.” (Lc 4,18-19)
Se Jesus Cristo lesse isso hoje, diriam que ele “lacrou”. Outros, que “militou”. Os mais finos chamariam de discurso ideológico; os mais brutos, de perigoso.
Haveria quem pedisse moderação: “menos pobres, mais espiritualidade”. E não faltaria doutor explicando que libertar oprimidos desequilibra o mercado.
Nas redes, cortariam o vídeo no trecho dos cegos, para virar meme. No fundo, fariam o mesmo de Nazaré: primeiro aplauso, depois pedra. Porque falar de justiça ainda assusta — sobretudo quem lucra com a cegueira alheia.

