terça-feira, 24/03/26
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Denúncias de trabalho análogo à escravidão passam de 730 em 2026

Casos cresceram 12,7% em relação a 2025. Só em março foram 211 registros, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT)

Ministério do Trabalho / Divulgação

 

O Brasil já registrou 733 denúncias de trabalho análogo à escravidão em 2026, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). Desse total, 211 foram feitas apenas em março. Os dados consideram o período de 1º de janeiro até essa segunda-feira (23/3).

Nos dois primeiros meses do ano, que já têm números consolidados, foram contabilizadas 522 denúncias. No mesmo intervalo de 2025, o MPT havia registrado 463 casos — o que representa um aumento de 12,7%.

Apenas no estado de São Paulo, onde uma nacional filipina foi resgatada na casa da cônsul honorária do Brasil no Líbano, foram registradas 167 denúncias pelo MPT em 2026.

No ano passado, o estado foi o que mais registrou denúncias de trabalho análogo à escravidão pelo Disque 100, plataforma do Ministério dos Direitos Humanos (MDHC) para denúncias de violação de direitos humanos.

Subnotificações

Para agentes do MPT consultados pela reportagem, os casos de trabalho escravo doméstico ainda são subnotificados no Brasil. Parte se deve ao fato de situações domésticas abusivas serem institucionalmente naturalizadas por parte da população.

“Muitas vítimas vão para a casa dessas famílias ainda crianças e são resgatadas quando já estão adultas ou idosas. Mas a maioria dos casos sequer chega ao conhecimento das autoridades”, pontua Luciano Aragão, coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do MPT.

A maior parte das denúncias que chega ao conhecimento das autoridades, trata-se de resgates em fazendas ou em áreas rurais. “Nossa avaliação é que a grande fronteira no combate ao trabalho escravo é o trabalho escravo doméstico”, avalia Aragão.

Denúncia contra cônsul honorária do Brasil

No início deste mês, o MPT passou a atuar no caso de uma filipina resgatada em São Paulo. A mulher, de 51 anos, trabalhava há 12 anos para a cônsul honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati, e denunciou a empregadora pelas condições abusivas de trabalho.

Em entrevista ao Metrópoles, a vítima relatou que era impedida de sair de casa, não tinha conta bancária no Brasil e nem acesso ao seu salário, que era integralmente enviado à família nas Filipinas. A mulher também não tinha acesso aos seus documentos.

A mulher narrou ainda que acumulava funções na residência, com uma rotina de quase 12h diárias de trabalho, sem folgas na semana ou férias. Há 12 anos como funcionária da cônsul, a mulher conta que nunca visitou a família em sua terra natal.

Siham Harati foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Polícia Federal (PF). Em nota enviada ao Metrópoles, ela negou todas as acusações e afirmou que nunca houve qualquer reclamação por parte da empregada.

 

Com informações do Metrópoles 

 

 

 

 

 

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