
Miguel Lucena
Falta quase tudo na segurança pública brasileira, menos dinheiro desperdiçado e incompetência administrativa. Auditoria aponta que estados e Distrito Federal deixaram sem uso cerca de R$ 3,5 bilhões do Fundo Nacional de Segurança Pública. Dinheiro parado, enquanto a violência corre solta, as comunidades seguem desassistidas e a prevenção continua tratada como artigo de luxo.
A pergunta é inevitável: por que os governos não aplicam parte desses recursos em projetos sociais de prevenção à criminalidade? Repressão sem prevenção é enxugar gelo com viatura ligada.
Em 2009, na 6ª Delegacia de Polícia do Paranoá, fizemos por conta própria o projeto Combatendo a Violência e as Intolerâncias pelo Prazer de Aprender. Levamos palestras, música, teatro e cinema à comunidade, sem contar com um centavo do Estado. A iniciativa recebeu o Prêmio Nacional de Educação Darcy Ribeiro, na Câmara dos Deputados, na pessoa de sua coordenadora pedagógica, a professora Maria José Rocha Lima, Zezé.
Seria oportuno que o conselheiro Renato Rainha, ao levantar a questão da subutilização do Fundo de Segurança, também olhasse com atenção para experiências sociais concretas, como a que desenvolvemos no Paranoá. Talvez descubram, enfim, que segurança pública não se faz apenas com armas, fardas e sirenes, mas também com educação, cultura e presença humana do Estado.

