
Miguezim de Princesa
I
Executa-se o devedor:
Aqui jaz um contumaz,
Desde os tempos de rapaz
Que seu bolso se furou.
Mas, quando o banco quebrou,
Os credores se lascaram,
Perderam o que apostaram,
E, apesar da bancarrota,
Me disse Chico de Tôta
Que os banqueiros enricaram.
II
Quando há uma quebradeira,
A grana desaparece,
No entanto reaparece
Ao longe numa algibeira
Da ciranda financeira
Que a tudo tem engolido,
E o dinheiro sumido,
Que da conta foi embora,
Reaparece lá fora
No bolso do mais sabido
III
Para trás ficam os destroços:
Mais de mil sonhos frustrados,
A raiva dos humilhados
É tanta que dói nos ossos.
Nos salões ricos os troços
Desses golpes se sustentam,
Para impressionar ostentam
As joias subtraídas,
E assim, levando essas vidas,
Não sei como eles aguentam.

