segunda-feira, 23/02/26
HomeBrasil'Quase todos trabalharam por amor', diz cientista sobre estudo com polilaminina

‘Quase todos trabalharam por amor’, diz cientista sobre estudo com polilaminina

Proteína retirada da placenta pode devolver movimentos para quem tem lesões na medula. Neste episódio do podcast do Fantástico, Maria Scodeler recebe a bióloga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a cientista Tatiana Sampaio, e a repórter Flávia Cintra.

Foto: Reprodução

 

Eles sofreram lesões graves na medula espinhal e viram o impossível acontecer depois de um tratamento experimental com a polilaminina, uma proteína retirada da placenta que pode devolver movimentos. São resultados promissores que nos enchem de esperança! A Anvisa chegou a autorizar um estudo clínico da polilaminina com um grupo de voluntários a partir de março deste ano.

Se tudo der certo, o medicamente deve estar disponível em até cinco anos. O que já provocou uma corrida à Justiça: até agora, ao menos 50 pacientes entraram com ações para tentar acesso ao tratamento antes mesmo do início desse estudo clínico.

Mas em que casos a polilaminina é de fato recomendada? quais são os riscos? e o que ainda falta para que ela chegue ao mercado?

Neste episódio do podcast ‘Isso é Fantástico’, Maria Scodeler recebe a bióloga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a cientista Tatiana Sampaio, e a repórter Flávia Cintra.

“Nós conseguimos fazer um estudo clínico pequeno, um estudo clínico piloto, mas sem patrocinador externo. Então, ele foi feito no ambiente acadêmico. É um estudo clínico acadêmico, que é uma coisa muito rara, principalmente de uma droga nova, uma droga injetável, é uma coisa realmente muito rara. E a gente conseguiu fazer por conta de uma conjunção de fatores. Primeiro, uma crença de que o impossível é possível. Depois, pelo trabalho voluntário de muita gente. Então, as pessoas que participaram foram muito dedicadas e a gente não pagava praticamente nada. Quase todo mundo estava trabalhando por amor”, destaca a cientista Tatiana Sampaio.

 

Hawanna Cruz Ribeiro, de 28 anos, é atleta paraolímpica de Rugby em cadeira de rodas — Foto: Arquivo Pessoal

Hawanna Cruz Ribeiro, de 28 anos, é atleta paraolímpica de Rugby em cadeira de rodas — Foto: Arquivo Pessoal

Hawanna Cruz Ribeiro, de 28 anos, atleta paraolímpica de Rugby em cadeira de rodas, é paciente da polilaminina desde 2020.

“Aos 19 anos, no dia oito de setembro de 2017, aconteceu o meu acidente. Eu caí do terceiro andar, aproximadamente 10 metros. Caí de cabeça, tive um traumatismo craniano, três vértebras do pescoço quebrado. Após a polilaminina, eu recuperei sensibilidade, uma sensibilidade bizarra, que, para a minha lesão, não é comum. Se uma mosca pousar na minha canela, eu sinto. Se minha unha estiver encravada, eu sinto. Sinto, também, a sensação de temperatura. Demoram alguns segundos, mas sinto. Assim como a de dor. Também é desse mesmo modo: demoram alguns segundos, mas eu também sinto. Eu tenho sensibilidade na bexiga e no intestino. Melhorou o meu tronco. Antigamente, se minha cadeira batesse num buraco, eu iria de cara no chão. Hoje, eu já tenho um tronco.. um controle de tronco um pouco melhor e isso não acontece mais. Também tinha perdas de urina antes da polilaminina e hoje eu não tenho mais. Ganhei movimento nos braços, ganhei também.. me devolveu também a minha musculatura dos braços e das costas e parcial do controle de tronco”.

 

Em nota, a Anvisa reforça que “só os ensaios clínicos controlados e em todas as fases” podem comprovar “a segurança e a eficácia do produto.” e que “nos casos em que o paciente não atende aos critérios do ensaio”, a pessoa pode receber o tratamento no chamado “uso compassivo”.

 

Por Fantástico

 

VEJA TAMBÉM

Comentar

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Publicidade -
- Publicidade -spot_img

RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Este campo é necessário

VEJA TAMBÉM