
Miguel Lucena
Um dos envolvidos na chamada Operação Overclean festejava, sem pudor, a fartura suspeita: “Ibipitanga tá cheio de platita!”.
A frase, meio castelhano de ocasião, meio deboche de boteco, revelava o clima de euforia no interior da Bahia, onde dinheiro de emenda escorria como água de cacimba arrombada.
Mas João de Aiguinha, com o sarcasmo afiado, tratou de completar o verso da comédia: “E a Polícia Federal na sua portita”.
Entre a platita e a portita, ficou o retrato do Brasil profundo: onde alguns celebram a abundância repentina e outros batem à porta com mandado na mão.
No fim, toda festa barulhenta demais acaba atraindo visita — e nem sempre é para brindar.

