quarta-feira, 28/01/26
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Conflito na Ucrânia é tão mortífero para soldados quanto a 2ª Guerra Mundial

Estudo do CSIS aponta até 1,8 milhão de baixas entre soldados russos e ucranianos, com alta vulnerabilidade a drones e impacto devastador sobre os efetivos

Foto: Genia Savilov/AFP

 

FOLHAPRESS

Conflito marcado pelo uso intensivo de drones e atrito na linha de frente, a invasão russa da Ucrânia é tão mortífera para soldados quanto foi a Segunda Guerra Mundial para ambos os lados, que lutaram sob a bandeira da União Soviética de 1941 a 1945.

É o que apontam números de um novo estudo do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington. Ele conta até 1,8 milhão de baixas militares desde a invasão em 24 de fevereiro de 2022 até o final de 2025, incluindo 465 mil mortes e o restante de feridos incapacitados para o combate.

Aplicando aos dados a régua da proporção entre mortos e feridos, fica claro o impacto para os militares, cada vez mais vulneráveis aos temidos drones na linha de frente.

Em conflitos modernos, a taxa usual mira algo como 1 morto para 7 a 10 feridos, refletindo também a qualidade do material de proteção individual e de blindados, os primeiros socorros e a rapidez de transferência para hospitais.

De 2022 a 2025, a Rússia registrou uma taxa de 1 morto para 2,7 feridos. Já a Ucrânia se sai algo melhor, 1 para 3,28. Ainda assim, são números semelhantes aos de seus antecessores que lutaram sob Josef Stálin: 1 morte para 2,57 feridos.

Naturalmente não são guerras comparáveis em escala. Segundo o Ministério da Defesa russo publicou em 1993, morreram 8,6 milhões de fardados de Moscou no conflito global, fora os 27 milhões de civis soviéticos.

A guerra toda, iniciado quando Adolf Hitler atacou a Polônia em 1939, deixou 70 milhões de mortos. Já o trecho com a participação soviética, após a invasão nazista de 1941, foi ultrapassado em tempo pelo embate atual.

A relação mortos/feridos mostra uma involução. Na sua fase mais ativa na Guerra do Vietnã (1965-1973), a taxa americana foi semelhante à soviética, de 1 para 2,6. Já na mais recente ocupação do Afeganistão (2001-2021), onde não houve atrito semelhante, o índice melhorou para 1 morto a cada 8,4 feridos.

O CSIS usou em sua conta estimativas próprias a partir de entrevistas com autoridades, avaliação do Ministério da Defesa britânico e levantamentos com dados abertos do site russo Mediazona.

Nem Moscou nem Kiev são transparentes sobre suas perdas, com menções eventuais e subestimadas.

Nesta quarta-feira (28), o Kremlin disse que o estudo não era confiável, mas sem apresentar seus dados.

Os russos, que têm Forças Armadas com 1,3 milhão de integrantes e lutam com a desvantagem de estar na ofensiva, sangram mais. São até 325 mil mortos e 875 mil feridos, num ritmo que só fez crescer: foram 99.658 baixas contadas em 2022 e, em 2025, 415.608.

Em outras palavras, quase 1.200 baixas por dia para Moscou ao longo do ano passado. Aqui, a conta total de 325 mil mortos é no limite máximo do espectro analisado pelo CSIS -o think-tank vê um mínimo de 275 mil mortes militares russas na guerra até aqui.

Usando esse critério, a guerra matou 0,22% da quatro vezes maior população russa e 0,36% da ucraniana até 2025. O impacto militar é enorme: o número de mortos para Moscou equivale a 25% do seu efetivo total hoje, que é 1,6 vezes maior do que o de Kiev. A Ucrânia perdeu o mesmo que 17,5% de sua força atual.

Segundo o CSIS, na Ucrânia foram de 100 mil a 140 mil mortos, além de cerca de 460 mil feridos. O estudo não abarca o número de civis atingidos. A ONU estima, admitindo subnotificação, que cerca de 15 mil morreram na Ucrânia, e a Rússia contou 6.800 vítimas durante a ocupação de oito meses de um pedaço da região de Kursk.

Em números brutos, a tragédia da guerra supera qualquer outro engajamento militar de Moscou desde que os nazistas e seus aliados foram derrotados. Segundo o CSIS, as baixas russas são cinco vezes maiores do que todas as perdas em combate do país de lá para cá.

Quando passaram dez anos no Afeganistão, de 1979 a 1989, os soviéticos perderam estimados 14 mil soldados. No seu conflito mais brutal antes do ataque à Ucrânia, parcelado em duas etapas contra os separatistas da Tchetchênia (1994-96 e 1999-2000), os números mais aceitos apontam até 25 mil mortos.

Mesmo os dados oficiais do Kremlin, com 4.000 soldados caídos, apontam uma proporção de mortos e feridos um pouco menos radical: 1 para 4,5.

A mortandade supera qualquer guerra travada por grandes potências após 1945. Os EUA, por exemplo, tiveram seu maior número de perdas no Vietnã, 58 mil vidas.

O CSIS também apontou para a futilidade da guerra de atrito até aqui. De 2024 para cá, os russos estiveram com a iniciativa no campo de batalha, mas ela só se materializou em um ganho de 1,5% do território do rival. Ao todo, Vladimir Putin ocupa cerca de 20% do vizinho hoje.

BAIXAS RUSSAS NA GUERRA

2022 – 99.658
2023 – 252.954
2024 – 430.526
2025 – 415.608

Fonte: CSIS

 

 

 

 

 

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