Quase nenhum líder ocidental participará do desfile, que acontecerá em 3 de setembro. Especialistas avaliam que Xi Jinping busca afirmar sua influência entre países que querem reconfigurar a ordem global dominada pelo Ocidente.

O presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, participarão de um desfile militar em Pequim, capital da China, na próxima quarta-feira (3), segundo afirmou o governo chinês nesta quinta-feira (28).
Além de Putin e Kim, o desfile contará com a presença de outros 24 chefes de Estado e de governo estrangeiros, informou o Ministro Assistente das Relações Exteriores, Hong Lei, em entrevista coletiva — o governo brasileiro ainda não havia confirmado quais representantes enviará até a última atualização desta reportagem.
Além dos líderes da Rússia e da Coreia do Norte, estarão o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o chefe da junta de Mianmar, Min Aung Hlaing. A ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, atual líder do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do Brics, também deve participar.
Procurada pelo g1, a assessoria de imprensa da ex-presidente ainda não havia confirmado se ela participará da parada em Pequim até a última atualização desta reportagem.
O evento marca os 80 anos desde a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, que encerrou a ocupação de áreas do território chinês.
Quase nenhum líder ocidental estará entre os chefes de Estado ou de governo estrangeiros que participarão do desfile.
Os únicos líderes ocidentais a participar dos eventos em Pequim são Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia — país membro União Europeia —, o presidente da Sérvia, Aleksander Vucic, e o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
Embora a Sérvia seja um país candidato a entrar na UE, Vucic é aliado de Putin. Fico também tem se posicionado contra sanções à Rússia e chegou a visitar Moscou em maio.
Para especialistas, o objetivo de Xi Jinping é demonstrar seu peso sobre países que querem reconfigurar a ordem global, segundo Pequim, dominada pelo Ocidente.
“Xi Jinping está tentando mostrar que é muito forte, que continua poderoso e bem recebido na China”, disse Alfred Wu, professor associado da Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew, da Universidade Nacional de Cingapura, à Reuters.
“Quando Xi era apenas um líder regional, ele admirava Putin e via o tipo de líder de quem poderia aprender — e agora ele é um líder global. Ter Kim ao seu lado também ressalta como Xi agora é visto como líder global”, completa o professor.
O líder chinês tem buscado ampliar a influência de Pequim no palco internacional, não apenas como a segunda maior economia do planeta, mas também como um ator de peso na diplomacia. Ele vem ressaltando a imagem da China como um parceiro comercial confiável, em meio ao impacto das tarifas impostas por Trump, que afetaram as relações econômicas mundiais.
Uma coalizão de Estados empenhados em remodelar a ordem global liderada pelo Ocidente, o chamado Eixo da Turbulência, tem buscado minar os interesses dos EUA, seja em relação a Taiwan ou bloqueando rotas marítimas, além de contornar sanções ocidentais oferecendo apoio econômico mútuo, dizem os analistas. (Fonte: g1)