sexta-feira, 29/08/25

HomeBrasilGovernos Lula e Tarcísio disputam holofotes em 3 operações simultâneas

Governos Lula e Tarcísio disputam holofotes em 3 operações simultâneas

Cotados para disputar as eleições em 2026, o ministro Fernando Haddad e o secretário de SP Guilherme Derrite participaram de anúncios

Reprodução

 

Os governos Lula (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) disputam holofotes em três operações simultâneas relacionadas a esquemas bilionários de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Mostra disso foi a presença nas coletivas de imprensa sobre as investigações, em Brasília e São Paulo, de figuras de destaque das duas gestões que são cotadas para disputar as eleições em 2026.

A busca por uma agenda positiva ocorre no momento em que o governador de São Paulo tem crescido na bolsa de apostas como potencial candidato à Presidência da República contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta quinta-feira (28/8), foram deflagradas duas operações na esfera federal e uma na estadual — todas apontam conexões entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e instituições financeiras da Faria Lima no esquema criminosa.

No governo federal, além do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a quem a Polícia Federal (PF) está subordinada, os anúncios das operações Quasar e Tank contaram com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), cotado para disputar o governo paulista ou o Senado pelo estado.

“Essa operação é exemplar porque conseguiu chegar na cobertura do sistema, no andar de cima do sistema. E, para isso, a Polícia Federal e a Receita Federal têm que trabalhar juntas. A investigação tem que ir com a fiscalização. Isso não é obra do acaso. Essa operação é obra de decisão política”, disse Haddad, chefe da Fazenda, pasta à qual a Receita Federal é vinculada.

No início da tarde, o presidente Lula enalteceu “o trabalho integrado” coordenado pelo Núcleo de Combate ao Crime Organizado que “permitiu acompanhar toda a cadeia e atingir o núcleo financeiro que sustenta essas práticas”. “A população em todo o país assistiu hoje à maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui”, escreveu o petista.

Já pelo governo Tarcísio, participaram da coletiva na sede do Ministério Público de São Paulo (MPSP) os secretários Samuel Kinoshita (Fazenda) e Guilherme Derrite (Segurança) — recém-filiado ao PP, Derrite também é cotado para concorrer a uma das duas cadeiras de senador no pleito de 2026 e citado até como possível candidato ao governo paulista caso Tarcísio realmente concorra à Presidência.

No caso de São Paulo, a operação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, e contou com apoio de centenas de agentes da Polícia Militar para cumprir mandados de busca e apreensão contra 350 alvos. A PM é vinculada à secretaria comandada por Derrite. Durante a coletiva, Derrite afirmou que houve ordens estratificadas entre as equipes de busca e apreensão, sem objetivo de realizar prisões.

O governador Tarcísio de Freitas também usou seu perfil nas redes sociais para destacar o trabalho iniciado em São Paulo contra a “infiltração do crime organizado no setor de combustíveis”. Em um vídeo, Tarcísio lembrou que já havia falado da atuação criminosa no setor no ano passado e disse que “aqui em São Paulo o crime organizado não vai ter vez”.

Veja os principais alvos da megaoperação em SP:

  • Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme são apontados como operadores centrais do ecossistema criminoso. Ambos são ligados às empresas Aster e Copape.
  • Marcelo Dias de Moraes, presidente da Bankrow Instituição de Pagamento, instituição financeira que participava do esquema de lavagem.
  • Camila Cristina de Moura Silva/Caron, diretora financeira da BK, fintech apontada como “banco paralelo” do esquema de adulteração de combustíveis com metanol. A investigação aponta que a instituição tem “procurações cruzadas” com a Bankrow.
  • Valdemar de Bortoli Júnior, com vinculação às distribuidoras de combustíveis Rede Sol Fuel e Duvale.
  • José Carlos Gonçalves, vulgo “Alemão”, apontado por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
  • Lucas Tomé Assunção, contador vinculado à GGX Global Participações, empresa dona de 103 postos de gasolina, e à Usina Sucroalcooleira Itajobi.
  • Marcello Ognibene da Costa Batista, contador de múltiplas empresas com indícios de fraude societária.

Além das pessoas físicas, empresas e instituições financeiras são alvo da megaoperação.

Instituições de pagamento

    • BK Instituição de Pagamento S.A.
    • Bankrow Instituição de Pagamento S.A.
    • Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.
    • Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
    • Altinvest Gestão de Administração de Recursos de Terceiros Ltda.
    • BFL Administração de Recursos LTDA
    • Banco Genial S.A.
    • Actual Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
    • Ello Gestora de Recursos LTDA
    • Libertas Asst S/A
    • Banvox Distribuidora de Títulos e Valores LTDA
    • Zeus Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
    • Brazil Special Opportunities Fund
    • Atena Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
    • Olimpia Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
    • Minesotta Fundo de Investimento Imobiliário
    • Pinheiros Fundo de Investimento Imobiliário FII
    • Olsen Fundo de Investimento Imobiliário Responsabilidade Limitada
    • Mabruk II Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não-Padronizados
    • Radford Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
    • Participation Fundo de Investimento em Participações em Cadeias Produtivas Agroindustriais
    • Zurich Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
    • Pompeia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
    • Location Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
    • Derby 44 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
    • Los Angeles 01 Fundo de Investimento Imobiliário
    • Gold Style Fundo de Investimento em Direito Creditório Não Padronizado
    • Hans 95 Fundo de Investimento Multimercado e Investimento no Exterior
    • Celebration Fundo de Investimento em Participação Multiestratégia
    • Keros Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
    • Fundo de Investimento Imobiliário FII Enseada
    • Fundo de Investimento Imobiliário Ruby Green
    • Fundo de Investimento Imobiliário Green Eagle
    • Pegasus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
    • Paraibuna Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
    • Fundo de Investimento Imobiliário Toronto
    • Mam ZC Tesouro Selic FI Renda Fixa DI Soberano
    • Anna Fundo de Investimento em Cotas de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
    • Reag High Yield Fundo de Investimento em Direitos Creditórios

Distribuidoras e administradoras de postos de combustíveis, conveniência e padarias

  • Aster Petróleo Ltda.
  • Safra Distribuidora de Petróleo S/A
  • Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda.
  • Arka Distribuidora de Combustíveis Ltda.
  • GGX Global Participações SA
  • Ciclone Gestão e Participações Ltda.
  • Latuj Participações Ltda.
  • Lega Serviços Administrativos SA
  • Vila Rica Participações Ltda.
  • Khadige Conveniência Ltda. (denominada Empório ExpressLtda.)
  • Dubai Administração de Bens Ltda.

Segundo as investigações, Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, seriam os principais operadores por trás do ecossistema fraudulento que envolveria toda a cadeia de combustíveis, desde a importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final até os elos finais de ocultação e blindagem do patrimônio, via fintechs e fundos de investimentos.

Mourad é investigado há anos por atividades ilícitas e, no passado, foi associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Nesta quinta-feira, o empresário, Beto Louco e cerca de outras 350 pessoas físicas ou jurídicas foram alvo de mandados de busca e apreensão.

A dupla é acusada de operar uma extensa rede de familiares, sócios, administradores e profissionais cooptados para a execução das fraudes, além gerir fundos de investimentos para ocultação e blindagem patrimonial.

Para isso, Mourad e Roberto teriam instrumentalizado a empresa formuladora Copape e a distribuidora Aster para desempenhar fraudes fiscais e contábeis, falsidades, e lavagem de dinheiro, montando um ecossistema de crimes vinculado não só ao PCC, como também a outros grupos criminosos.

Contadores, fintechs e fundos de investimento

Esse esquema seria extremamente complexo e envolveria diversos núcleos. A parte financeira tinha contadores, que realizavam as transações financeiras; fintechs, usadas para lavar o dinheiro do crime; e fundos de investimentos, que ocultavam o patrimônio dos envolvidos. O grupo teria usado 40 fundos com patrimônio de R$ 30 bilhões, geridos por operadores da Faria Lima, centro financeiro do país.

Havia também o núcleo de transporte, responsável pela frota de caminhões usados na logística de distribuição de combustível e desvio do metanol adquirido pelo grupo; e o de postos de combustíveis, que adulterava a gasolina vendida para o consumidor final.

Entenda como funcionava o esquema bilionário

A megaoperação deflagrada na manhã desta quinta-feira (28/8) aponta um complexo esquema de fraude em postos de combustíveis e fintechs.

De acordo com a investigação, a fraude começava na importação irregular de metanol, que chega ao país pelo Porto de Paranaguá, no Paraná. O produto, que era para ser entregue para empresas de química e biodiesel indicados nas notas fiscais, era desviado para postos de combustíveis.

São cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão em oitos estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), os donos de postos de gasolina venderam seus estabelecimentos para integrantes do PCC. Alguns deles não receberam os valores da transação e foram ameaçados de morte caso fizessem qualquer tipo de cobrança.

 

Com informações do Metrópoles 

 

VEJA TAMBÉM

Comentar

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Publicidade -spot_img

RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Este campo é necessário

VEJA TAMBÉM