segunda-feira, 16/03/26
HomeDestaquePF intima Bolsonaro e Mauro Cid a depor em inquérito das joias

PF intima Bolsonaro e Mauro Cid a depor em inquérito das joias

Depoimento do ex-presidente e de seu antigo ajudante de ordens foi marcado para 5 de abril, às 14h30.

Por Andréia Sadi e Julia Duailibi/g1*

O ex-presidente Jair Bolsonaro e Mauro Cesar Barbosa Cid — Foto: Reprodução/Redes Sociais
O ex-presidente Jair Bolsonaro e Mauro Cesar Barbosa Cid — Foto: Reprodução/Redes Sociais


A Polícia Federal intimou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu antigo ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, a depor sobre o caso das joias recebidas pelo presidente. Também foi convocado Marcelo Camara, que faz a segurança de Bolsonaro. O depoimento foi marcado para 5 de abril, às 14h30.

O delegado que toca o caso afirmou no inquérito que “não serão juntados nos autos os termos (dos depoimentos) até a efetiva realização de todas as oitivas dos envolvidos”. De acordo com o responsável pelo inquérito, “isso possibilitará que as pessoas não sejam procuradas antecipadamente pela mídia ou mesmo outros envolvidos, como também garante a isonomia entre os investigados de não serem ouvidos antes ou depois dos outros e saberem a sua versão dos fatos”. 

A defesa vai questionar esse ponto, alegando que há restrição ao princípio da ampla defesa e que, na prática, se isso for realizado, significaria manter um inquérito paralelo. O blog procurou a Polícia Federal, que até o momento não se manifestou.

Como o blog revelou no início de março, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro enviou ofício ao então chefe da Receita Federal pedindo a liberação das joias apreendidas com uma comitiva do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, no aeroporto de Guarulhos (SP). Os itens foram avaliados em R$ 16,5 milhões. 

O ofício foi enviado em 28 de dezembro de 2022, a três dias do final do mandato de Bolsonaro como presidente. Na mensagem, Cid solicitou a incorporação dos presentes retidos em Guarulhos “a este órgão da União” – o ofício foi enviado em nome do Gabinete Pessoal do Presidente da República. 

Ofício do gabinete pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta reaver as joias apreendidas no aeroporto de Guarulhos — Foto: Reprodução
Ofício do gabinete pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta reaver as joias apreendidas no aeroporto de Guarulhos — Foto: Reprodução

 

O governo Jair Bolsonaro tentou trazer ao Brasil em 2021, de forma irregular, joias com diamantes avaliadas em R$ 16,5 milhões. Um pacote de joias foi retido pela Receita Federal no aeroporto de Guarulhos, quando a comitiva do ministro de Minas e Energia desembarcou no Brasil. O segundo estava em posse de Bolsonaro e foi entregue por sua defesa na semana passada, depois de determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). 

A existência de um terceiro pacote de joias foi revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” na terça-feira (28). Este conjunto foi entregue à comitiva de Bolsonaro durante uma viagem ao Catar e a Arábia Saudita em outubro de 2019 e está em uma fazenda do ex-piloto Nelson Piquet em Brasília. 

Conjunto de joias avaliadas em R$ 16,5 milhões apreendido pela Receita — Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Conjunto de joias avaliadas em R$ 16,5 milhões apreendido pela Receita — Foto: Amanda Perobelli/Reuters 

Advogado deixa defesa de Torres

O advogado Rodrigo Roca, responsável pela defesa de Cid, vai deixar de representar o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Segundo o blogapurou, não se trata – pelo menos até aqui – de movimentação para uma delação. A estratégia da defesa é desvincular o advogado, que é muito próximo do núcleo bolsonarista, de Torres, que quer uma defesa distanciada do ex-presidente.

VEJA TAMBÉM

Comentar

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Publicidade -
- Publicidade -spot_img

RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Este campo é necessário

VEJA TAMBÉM